Uma data marcante que celebra as lutas feministas por melhores condições de vida e trabalho e pelo direito ao voto. 1975, ano designado pela ONU como ano internacional da mulher.
Faço parte de uma geração em que a igualdade de género foi construída, cimentada, fortalecida dia-a-dia nas mais diversas esferas sociais. Cresci sem sentir-me diminuída por ser mulher e sem um destino traçado pelo meu género. Devo-o seguramente a uns pais de mente aberta para quem a igualdade de género era vivida naturalmente no seio de um casamento igualitário. Devo-o também a outros familiares, professores e decisores que reivindicaram essa igualdade nos diversos aspetos do quotidiano social.
Hoje, como mulher adulta, olho para trás, olho à minha volta, olho para aquelas que já partiram e cada vez sou mais feliz por ser mulher. Isto porque para mim ser mulher não se define por adjetivos, tarefas, profissões… resume-se simplesmente à complexidade. E não o digo na perspetiva de alguns homens (desculpem a distinção de género) que dizem não entender as mulheres porque são demasiado complicadas. Não, as mulheres encerram em si todas as possibilidades, as que a vida lhes oferece e as que a vida lhes nega. São lutadoras com tudo o que isso pode trazer de alegria e de dor.
Foi isso que aconteceu no início do século XX e é isso que celebro todos os dias na minha feminidade independentemente do que visto, da cor das unhas, da forma do cabelo, da atividade que exerço.
Ana Paula Almeida
