Sim, tenho vício de escrever, muitas vezes sem razão alguma, sem uma circunstância específica, sem uma data especial, sem um acontecimento em particular. Escrever entranha-se em nós e alimenta-nos sem nunca nos sentirmos saciados. Queremos sempre dizer mais, dizer de forma diferente, dizer melhor, dizer de forma mais bonita.
Escrever faz-nos hesitar, voltar atrás. Confere maturidade às palavras. As palavras escritas são um desenho da nossa mente, um diálogo de construção e desconstrução connosco mesmo e com os outros.
Por isso, hoje, escrevo sobre nada… apenas sobre mim. Após três livros infantis publicados, algumas colaborações poéticas, vários textos em prosa num site e alguns em verso ainda na gaveta, cada vez gosto mais, aliás, preciso mais de escrever. Não me perguntem para quê, pois não sei responder.
Sei apenas que a mente precisa deste exercício de encontrar as palavras exatas, de conciliar interrogações e afirmações, de dizer o que se pensa e de pensar sobre o que se diz, de olhar para nós no meio dos outros e dos outros no meio de nós. Desculpem-me o egoísmo, mas no fundo, escrevo para mim e não para os outros.
Ana Paula Almeida
