Celebra-se a escolha silenciada por décadas de ditadura. Historicamente, conquistou-se a liberdade em Portugal na noite e 24 de abril de 1974. Desde então, ser livre passou a ser mais do que uma opção, tornou-se um desígnio coletivo e individual que atravessa gerações e territórios.
Cada um se considera livre ou anseia pela liberdade pelas mais diversas razões. Uns são livres porque podem jogar na consola quando querem, outros são livres porque vão sozinhos para a praia quando bem querem e lhes apetece. Outros são livres porque têm carro ou mota para ir para onde quiserem, uns são livres porque vivem fora de casa dos pais. Uns são livres porque escolhem com quem casar, outros são livres porque escolhem viajar à volta do mundo.
Ser livre não se define por si, mas sim pelos sonhos de cada um de nós. Eu sou livre porque faço escolhas todos os dias sem receio. Recuso ser aquela que age de acordo com as expetativas dos outros. Escolhi ser aquela que age da forma que a faz feliz. Mas, para mim, como em quase tudo na vida, não há liberdade sem amor. Não é livre aquele que não ama a vida e constantemente a rejeita. Não é livre aquele que não ama o mundo e quotidianamente o despreza. Não é livre aquele que não respeita os outros e se deixa corroer pelo rancor. Não há, de facto, maior liberdade do que amar sem limites e sem temor.
Arriscar dizer que nos sentimos bem connosco e com os outros, gritar bem alto que amamos e somos amados, expor os nossos sentimentos, esta é sim a maior conquista de todos os tempos. Viva a liberdade!
Ana Paula Almeida
