Foi em setembro de 1998, dia 01, primeira apresentação oficial numa escola secundária.
Não foram muitas as escolas, duas apenas. Sim, não andei com a casa às costas a cada início de ano letivo.
Como é possível? perguntam vocês, abismados.
Um anúncio num jornal local levou-me a uma escola profissional privada e por lá fiquei estes últimos 24 anos. Cheguei, assim, aos 25 anos de profissão docente. Não sei porquê, mas os 25 são um marco, como se de um triunfo se tratasse. Felizes os que conseguem aguentar 25 anos de matrimónio, felizes os que ao fim de 25 anos ainda se sentem capazes de exercer uma determinada atividade profissional. São as famosas bodas de prata, um metal precioso, mas não o mais precioso, um patamar alcançado, mas não o último patamar. É como se nos dissessem: “Muito bem, mas se quiseres o prémio final, tens de chegar aos 50”. Um pouco como os concorrentes daquele programa televisivo em que vários ganham prémios, mas só um pode sonhar com a montra final.
Mas, afinal para quê tanto alarido? 25 é apenas um número, dois dígitos, duas dezenas e cinco unidades. Porque lhe damos então tanta importância? Talvez precisemos destes marcos para continuar a caminhar, para nos sentirmos “donos do tempo”. Talvez precisemos destes marcos para olhar para trás, para no sentirmos vitoriosos. Não sei qual será a opção certa.
Temos, de facto, necessidade de marcar o tempo ou será simplesmente um hábito? Conseguiremos nós viver sem olhar constantemente para o calendário? Sem as célebres frases falam x dias para o Natal? Sem a contagem decrescente para as badaladas do novo ano? Não será certamente por acaso o calendário uma das invenções primordiais da humanidade. Não será certamente por acaso que os que ficam encarcerados na escuridão desenham traços na parede para não perder a noção do tempo.
Admitimo-lo a nossa existência é dominada pelo tempo. O importante, porém, é não ficarmos reféns dessa temporalidade. É preciso haver espaço para comer fora de horas, para não olhar para o relógio, para fazer agora o que estava previsto depois, para fazer depois o que estava previsto agora.
É preciso ser para além do tempo.
Ana Paula Almeida
