Mais uma ficha mais uma volta
Setembro chegou.

Torna-se inevitável falar do início do ano letivo. A falta de docentes, as questões curriculares, as futuras greves, as negociações ainda por vir, o custo dos materiais escolares, a dificuldade em gerir horários dos filhos e afazeres profissionais, o peso das mochilas, as escolas que fecham, as obras que nunca mais acabam ou nunca mais começam voltam a ser título de jornais e tema de mesas redondas. Alguns atores mudam, outros nem por isso. Alguns argumentos, dados, razões, soluções surgem, outros repetem-se.

Atrevia-me a dizer que a rotina do início do ano letivo veio para ficar. Mesmo quem não tem filhos em idade escolar não escapa a esta inevitabilidade, nem que seja pelo aumento do trânsito com que se depara após uns meses sem dezenas de carros em segunda fila à porta das inúmeras escolas que vão povoando as vilas e cidades deste país. Já referi algumas vezes a sensatez do nosso querido Camões, mas desta vez vou ter de discordar das suas palavras quando este diz “Todo o mundo é composto de mudança”.

Pois bem, a verdade é que há coisas que, felizmente, nunca mudam. A magia de entrar pela primeira vez no átrio da escola continua gravada nas memórias de cada um de nós já adulto. Algumas amizades nascidas no pátio da escola acompanham-nos para o resto da vida. A escola continua a ser fator essencial do crescimento individual e social. A relação pedagógica continua a ser determinante no processo de ensino/aprendizagem. Os corredores e pátios das escolas continuam a ser palco de encontros e partilhas.

Se é verdade que distinguimos frequentemente “a escola” e “a escola da vida”, também é verdade que na escola, nos seus múltiplos espaços e com a pluralidade de dinâmicas que aí ocorrem, também se aprende a viver.

Que comece mais uma volta!

Ana Paula Almeida

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