Não irei debruçar-me sobre o custo da habitação em Portugal nem sobre as políticas de urbanismo deste ou de outros tempos.
Vou falar de algo muito mais intemporal e universal: o aconchego do lar. Sabe bem dar um passeio à beira-mar, uma viagem por terras desconhecidas, uns dias românticos num hotel de charme, uma aventura radical em cenários deslumbrantes… mas nada substitui, a meu ver, o aconchego do lar.
Sim, quando alguém nos magoa, quando falhamos, quando nos desiludem, quando nos enganamos…sabe bem voltar a casa. A porta que range, o velho peluche, as almofadas já gastas… tudo isso reconforta, revigora. E não será pela robustez da porta, pela beleza do peluche, pela qualidade do tecido das almofadas, mas sim pelas histórias que carregam. Por isso é tão importante que no seio familiar, na intimidade do quotidiano haja carinho.
Que cada um de nós enquanto adulto reencontre a cada regresso a casa o cenário de uma infância marcada pelo amor dos pais, pela partilha, pela escuta, pelo diálogo. Muitas vezes preocupamo-nos em dar-lhe oportunidade de conhecer lugares, de experienciar algo diferente. Não nos esquecemos, porém, de nos dar a conhecer aos nossos filhos e de os conhecer, de experienciar com eles o diálogo, o riso, o choro, a dúvida, a certeza.
É responsabilidade dos pais fazer com que um dia os nossos filhos possam dizer “Aí que saudades que eu tinha da minha alegre casinha”.
Ana Paula Almeida
