Jesus nasceu!
O senhor do gorro vermelho já entregou todas as prendas!
Os Reis Magos chegaram! Trouxeram ouro, incenso e mira! É hora desfazer a árvore. É hora de retirar a coroa da porta! É hora de arrumar as figuras do presépio. É hora de colocar a toalha de Natal no fundo da gaveta.
Já está! Arrumei uma caixa que ficará esquecida até ao próximo dezembro. Nas ruas também se apagaram as luzes e já não se ouvem as músicas de Natal.
Acabaram-se as prendas embrulhadas num grande laço vermelho. As montras já não estão salpicadas de neve falsa nem de fitas coloridas. Agora estão manchadas com a palavra SALDOS em cores vistosas e letras gigantescas. Chegaram os discursos enfurecidos, os conflitos pelas mais diversas razões, as acusações mútuas… enfim talvez esteja errada e chegar não seja a palavra certa, pois o que nunca partiu não pode chegar.
Fecho a caixa e já sinto saudade da cor, do brilho, da luz, das músicas, daquelas sim muito lamechas com os sininhos a tocar. Deveria ser proibido arrumar o Natal, pois tal como por vezes se diz Natal é quando um homem quiser.
Porquê esperar pelo Natal para confortar o outro? Porque não fazer da dádiva um gesto diário? Corríamos era um risco, pois tudo o que é demais também cansa.
Mas eu não me cansaria do cheiro a comida caseira, da família à volta da mesa, dos sorrisos e abraços, das mensagens bonitas, do gesto gratuito…
Afinal, o Natal é mesmo quando cada um de nós quiser.
Ana Paula Almeida
