A vida não é feita de fantasias e ilusões.
A vida não é o que poderia ser, é o que é.
Não sei se sou demasiadamente terra à terra como dizem alguns, mas a verdade é que gosto de ter os pés bem assentes no chão. Encarar a realidade é, a meu ver, uma das premissas fundamentais para se ser feliz. E isso não é sinal de conformismo, de todo não. Pelo contrário, significa que se traçam objetivos, que se visualiza um caminho, que se procura a melhoria a partir de algo real. Ver que condições existem e perceber o que falta conquistar.
Ser realista e entender o que se consegue alcançar. Assim, ao chegar lá, sentimo-nos realizados e podemos pensar em novas metas. Degrau a degrau se constrói uma vida melhor. E se todos vivermos mais satisfeitos connosco teremos uma sociedade mais equilibrada. O confronto, a revolta, a insatisfação parecem hoje crescentes e, por vezes, desculpem a franqueza da opinião, descabidos.
Ao ver um noticiário televisivo assistimos a um rol de incoerências e análises descontextualizadas em que a confusão de conceitos é tal que apenas “está tudo errado” ou como se dizia n’ A Canção de Lisboa “vamos embora, que isto é tudo uma grande aldrabice”.
Pois eu acho que não é. Uma análise objetiva, um discurso esclarecedor, um assumir do que é possível e do que não é, uma distinção do essencial e do acessório, um diálogo sem premissas de conflito fazem muita falta. Infelizmente, a construção social reduz-se atualmente a um conjunto de braços de ferro que levam à exaustação dos seus principais atores e ao desânimo social sobre o qual nada se constrói.
Deixem-se lá de confusões de narizes e toca a procurar soluções.
Ana Paula Almeida
