As férias!
Meu querido mês de agosto como manda a cantiga. Enfim férias, o tempo tão esperado de repouso, encontro com os amigos, tardes ao sol, jantares descontraídos, sem horários a cumprir… Pois afinal não é bem assim. A ajudante cá de casa está de férias. Não me interpretem mal, são merecidas e acho que assim deve ser. Portanto, nas férias lá vem os encontros com as panelas, a tábua e o ferro, o aspirador, o pano do pó… Não é que me incomode ser a fada do lar, mas não rima lá muito bem com as férias. Mas, calma, ainda restam os passeios. Sim, os lugares aos quais ainda não fomos, aqueles a que queremos regressar… ora bem, lá estão de segunda a domingo as filas para a praia, os estacionamentos atulhados, os cafés apinhados, as lotações esgotadas, as filas de espera nos parques, monumentos e restaurantes… E lá se vai o lugar idílico das revistas e suplementos de verão dos jornais que tanto nos fizeram suspirar. Não desanimem, porém, resta-nos o mais importante o tempo em família: as brincadeiras com os miúdos, as conversas com os primos, as memórias partilhadas com os irmãos. E lá temos nós de enfrentar a realidade: as birras dos miúdos, as teimosias dos mais velhos apesar das falhas de memória, as discordâncias até se decidir onde e o que comer, os que se atrasam, os que se perdem e os que afinal não chegam. Mas como dizia um senhor na longa fila das caixas do supermercado há alguns dias atrás: “Calma, está tudo de férias, quem não souber esperar que não venha para cá”. Pois bem, de férias ou não, até porque nesse dia eu não estava de férias sim com pressa, ele tinha razão. As férias são o tempo para relativizar, para deixar de exigir, para “deixar correr” como se diz por aí. Não interessa o que se come, a que horas, onde, se houve birra antes, se tivemos de esperar. Quando nos sentamos à mesa com quem lá está simplesmente usufruímos do momento. É aquele tempo, aquele lugar, aquela companhia que nos enche o coração, que nos faz rir até de nós mesmos. Sim porque quem ri de si próprio é feliz consigo mesmo. Mas fora filosofias e com toda a simplicidade que a vida deve ter, estou de férias com filas ou não, com panelas ou servida à mesa, de aspirador na mão ou de quarto arrumado para mim. Usufruo do que cada dia me traz recordando-me que acima de tudo tenho ao meu lado quem faça birras, quem se atrase, quem já não se lembre de tudo e sou grata por isso. Estou de férias e sou feliz neste meu querido mês de agosto. Ana Paula Almeida

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