O vício da leitura

Como diz a sabedoria popular “Quem não tem dinheiro, não tem vícios”. Pois eu tenho um vício: o vício da leitura.

Em minha casa existem livros espalhados pelas várias divisões; tenho sempre um livro na mala; não adormeço sem ler algumas páginas. E leio à moda antiga: em suporte papel e não digital. Gosto de virar as páginas, gosto de passas os dedos pelas linhas, gosto de sentir as palavras nas mãos. Desde sempre li histórias ao meu filho e partilhei com ele a força das palavras. Falo dos livros que leio, dos que ainda gostaria de ler e dos que não me apetece ler. Quando era mais pequena ficava deslumbrada ao entrar numa livraria como se estivesse rodeada de tesouros, e ainda hoje assim o é.

Poderia dizer, como muitos, que um livro me leva a viajar pelo mundo fora. Eu diria antes que o livro me leva a viajar dentro de mim. Descubro-me através das histórias dos outros, das reflexões dos outros, dos questionamentos dos outros. Quando estou a ler converso com aquela narrativa, levo-a para dentro de mim e partilho-a com os outros, ou seja, falo com o mundo.

Mas, voltando ao provérbio “Quem não tem dinheiro, não tem vícios”, devo dizer que este não se aplica ao vício da leitura.

E como? Simples, existem aqueles lugares fantásticos chamados bibliotecas. Estas têm um papel fundamental na formação e na consolidação de leitores no nosso país. Mantêm a magia daqueles lugares onde se guardam grandes tesouros, relembrando tempos áureos como os da Grande Biblioteca de Alexandria ou mais recentemente da passagem da carrinha da Gulbenkian pelas ruas do nosso país.

Tal como sair de casa para ir beber um café, para ir às compras, para ver as montras, ir à biblioteca pode tornar-se um vício com uma grande vantagem: não é preciso esperar pelos saldos ou pelo Black Friday!  


Ana Paula Almeida

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