Dia da criança
Sim, 01 de junho já foi há alguns dias, mas esta é, de facto, uma data que não se pode deixar passar em branco. Penso verdadeiramente que o mundo pertence às crianças.

Não faz sentido viver pensando exclusivamente na nossa existência individual por mais duradoura que esta possa ser. Vivermos sem termos dentro de nós a certeza que, depois de nós e sem nós, haverá algo mais parece-me, no mínimo, desconcertante. E com isto não me refiro apenas a quem decidiu ter filhos. Ter filhos tem de ser verdadeiramente uma opção íntima. Quem o quer não deveria sentir-se limitado por pressões sociais e/ou económicas. Não deveria haver idade para ser pai/mãe. Não deveria existir incompatibilidade ente uma carreira de sucesso e a vida familiar. Não deveria haver mais ou menos crianças por questões financeiras. Não ter filhos também deve ser uma opção. A feminidade de uma mulher não deveria ser diminuída por isso. A avaliação da capacidade de amar e cuidar não deveria depender dessa escolha. O grau de felicidade de uma mulher não se deveria medir pelo facto desta ser ou não ser mãe.

As crianças, nossas ou não, são de qualquer forma a força motora deste mundo. Todos nós, pais ou não, estamos nas mãos das crianças. São elas que, um dia, construirão um mundo mais ou menos novo, tomarão conta das gerações mais velhas, decidirão políticas e valores sociais, ditarão as regras do jogo, em suma.

Por isso, cuidar delas é cuidar de todos. Uma sociedade que não cuida dos mais novos não cuida do seu futuro, por isso, simplesmente não cuida de si mesma. E cuidar das crianças afinal significa o quê? Dar asas à sua curiosidade, ouvir o que elas têm para dizer, estar atentos às suas necessidades, dar-lhes a liberdade de escolher com a noção das consequências que tal implica, deixá-las errar, dar-lhes a mão para tentarem de novo, mostrar-lhes o mundo na sua plenitude e riqueza. No fundo, confiar nelas e mostrar-lhes isso mesmo.

Sei que defendo aqui o mundo ideal e que as sociedades são, por natureza, imperfeitas. Mas, sem ideais não será possível construir um mundo melhor.

Ana Paula Almeida

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