Hoje fui à feira!
Domingo 11 de setembro, 18h30, Lisboa, o imponente Marquês de Pombal.

O verde do Parque Eduardo VII estava ainda mais bonito. Ruelas improvisadas repletas de rostos debruçados sobre uma interminável paleta de capas. Parecia um tapete estendido sem fim à vista. Cruzei-me com centenas de rostos. Uns, de passos apressados, já traziam consigo resmas de palavras. Outros, de olhos sedentos, procuravam tesouros escondidos entre os inúmeros títulos daquela montra grandiosa. E se uns gostam do cheiro a livros acabadinhos de imprimir, outros deslumbram-se com as relíquias que os alfarrabistas ali trouxeram.

Numa multidão com gente de todas as idades, sente-se algo especial.

Não sei como definir este ambiente empolgante em que regressamos às nossas origens: leitores por natureza. Mesmo num mundo altamente tecnológico a leitura continua a fazer parte de nós. Pequeninos, sentados ao colo das mães, os livros levam-nos a lugares mágicos. Mais crescidos, na estrada da emancipação, procuramos respostas nas narrativas alheias. Já velhinhos, no conforto da solidão, revisitamos a nossa vida nas palavras dos outros.

Uns folheiam páginas amareladas pelo tempo, outros tateiam ficheiros da era moderna. Pode não ser em papel, pode não ser da mesma forma, pode não ser o mesmo conteúdo, pode não ser na mesma dimensão, mas o ato de ler não se extingue. E, como comprova este corrupio de gente, o livro em formato papel ainda cria em muitos um frenesim de emoções.
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