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Os dias de outono

Começou mais um outono, uma estação de transição entre o sol majestoso de verão e o frio estonteante de inverno.
Para mim, o outono tem o encanto daqueles momentos em que ficamos suspensos entre o que foi e o que há-de-vir. Mantenho em mim um rescaldo das férias com os momentos de descanso, de partilha familiar, de encontros e borbulha em mim também a ânsia das luzes de Natal, das figuras do presépio, das refeições partilhadas.
Sinto ainda o sol de verão e o aconchego do calor da lareira. Gosto de olhar para o armário onde se misturam vestidos de verão e casacos de lã. Ainda não abdiquei dos churrascos e do mobiliário de jardim, mas já preparei a lenha para a lareira. Coloco lado a lado no carro os óculos de sol e o chapéu de chuva. Ainda há gelados na arca e já me delicio com o cheiro das broas quentinhas. Começo a cantarolar as músicas de Natal enquanto ainda tenho na memória os sucessos do verão.
Mas também devo confessar que mais se aproxima o mês de dezembro, mais me deixo levar pelo entusiasmo da época Natalícia.
Parece que tudo ganha outro encanto e não será só ilusório. Não se trata apenas de decorar a casa, não! Os objetos que colocamos no nosso espaço, pensando cuidadosamente na escolha de cada um, no lugar que cada um vai ocupar, na forma como cada um vai ser disposto em relação aos outros, não é um gesto descuidado. É o reflexo do que entendemos que estes objetos simbolizam, da sua importância no seio da nossa família. É uma forma de identificação seja ela cultural ou religiosa. É uma vivência que cada um experiencia de forma individual e também coletiva.
Por isso, desfruto do outono, daquilo que este tempo me permite interiorizar em relação a vivências passadas e daquilo que este momento me potencia experienciar face a experiências vindouras.
Ana Paula Almeida