O homem é um ser social! Vivemos em sociedade! Dependemos uns dos outros! O efeito borboleta existe! Ninguém está sozinho! Não precisam de o dizer mais, já todos percebemos.
As redes sociais estão cheias de comentários, frases bonitas ou não, mensagens de solidariedade, frases de apoio. Existem conselhos todos e qualquer problema que possamos ter com alguém pronto a partilhá-lo à distância de um clique e a troco das mais variadas possibilidades. Temos sempre alguém a olhar por nós talvez ou pelo menos para nós certamente. Analisam-se as posturas corporais para tirar conclusões sobre relações familiares, sentimentos e personalidades. As câmaras de vigilância espalhadas pelos mais diversos locais até nos dizem para sorrir, não vá parecermos mal nas filmagens que ficam não sei bem para que posteridade. As instituições internacionais olham para nós, avaliam-nos, sugerem e até determinam o que é melhor para nós. Cada palavra, cada passo, cada gesto nosso traz logo olhares avassaladores elevando alguns ao estatuto de ídolos a imitar e outros ao lugar de excluídos a evitar a todo o custo.
Os graus comparativo e superlativo são, de facto, um dos elementos linguísticos atualmente mais apreciados na nossa língua. Quem poderia viver sem dizer que é melhor, que tem mais que… Apenas o comparativo de igualdade é posto de lado nesta corrida desenfreada. Estranho muito este em que olhamos muito, apreciamos bastante, julgamos frequentemente, categorizamos avassaladoramente, mas deixamos de partilhar os bons dias, o açúcar, as alegrias, as tristezas. Tecem-se comentários, ofende-se, apregoa-se, fazem-se soar alarmes sociais, mas falta o essencial. É preciso dar a mão à criança que caiu e de quem não sabemos o nome; é preciso sorrir para aquele que chora sozinho num banco de jardim; é preciso acenar a quem está de olhar perdido atrás da janela.
A humanidade não se resume a campanhas e eventos, alimenta-se de gestos intuitivos no nosso quotidiano. Quando fizermos o correto sem saber porquê ou para quê, estaremos no caminho certo.
Ana Paula Almeida
